entrevistas
29/07 às 11h12

Lucas Souza

por Lenara Monteschio
Lucas Souza em entrevista para o MarinGospel.com revela estar escrevendo um livro e outros assuntos sobre seu mais recente trabalho. Confira...

Qual foi o seu primeiro contato com a musica e em que momento você sentiu que poderia fazer isso pro resto da vida?

Meu primeiro contato com a música foi na barriga da minha mãe. Eu nasci num lar onde a música tem lugar de destaque, sendo minha mãe professora de música e meu tio, que morava com a gente àquele tempo, um dos melhores pianistas do Brasil. Cresci aprendendo música desde os 2 anos de idade, e isso me acompanhou a vida toda. Entretanto, só fui mesmo viver da música a partir de 2004, quando lancei meu primeiro CD e entendi que era um jeito bom de se viver.

No novo CD “Cidade do Amor” pode-se ouvir baterias eletrônicas e sintetizadores, instrumentos que, em algumas faixas, tem grande peso na sonoridade. Isso foi uma evolução natural ou foi uma vontade sua (da banda)?

As duas coisas. Ouvimos muitas bandas que utilizam esses recursos, e para nós foi bem natural. Há bastante tempo tínhamos vontade de usar esses recursos ao vivo e só agora conseguimos.

Recentemente no seu twitter, você comentou sobre um pessoal que te escreveu dizendo que você perdeu a unção em Cidade do Amor, e que as letras não dizem nada, e você opinou dizendo que as pessoas não têm capacidade de abstração e lêem pouco. O que você acha que falta acontecer para os cristãos terem suas mentes mais abertas à cultura, música e outras coisas que às vezes não cabem no termo "gospel".

Essa gente que não gosta de pensar e gastar fosfato precisa parar de diabolizar todas as coisas, crescer na fé e no discernimento espiritual ao ponto de não precisar seguir a uma lista de “pode e não pode” para aprender a seguir a voz do Espírito Santo. Além dessa questão dogmática, tem a questão da falta de cultura e visão pessoal de mundo, no sentido de conseguir olhar para algo além do simples ponto de vista que se tem, com mais amplitude e profundidade. Essa limitação religiosa e cultural é um abismo no meio evangélico, infelizmente. As pessoas se apegaram a frases feitas, clichês até absurdos, e querem ouvir isso nas canções, infelizmente. O que eu tenho percebido é que o que for além disso correrá um sério risco de ficar de escanteio. Entretanto meu incentivo é para que os artistas não se acovardem diante do discurso religioso baseado no medo de ser, de pensar, de recriar, enfim, de existir. Deus nos deu uma capacidade criativa maravilhosa e precisamos utilizá-la para levar o evangelho de Jesus aos quatro cantos da terra da forma mais atual possível.

Você tem blog, twitter, é visível que você gosta de se comunicar e interagir com o publico. Que diferença essa interação faz no seu ministério?

Olha, não sei bem dizer porque sempre foi assim. Faço parte dessa geração informatizada, comecei a utilizar computadores com meus 10 anos de idade, um 386. Então isso faz parte do que sou, e é uma ótima forma de se conectar com outras pessoas.

Ainda sobre internet, o download de suas músicas e outras possibilidades que ela dá, já te deram dor de cabeça?

Sem dúvida. É o que mais atrapalha nosso trabalho hoje, porque limita a nossa possibilidade de ser completamente independente. Dependemos dos recursos oriundos da venda dos CDs, e isso tem nos prejudicado muito. Mas estamos procurando alternativas e estamos sobrevivendo (risos).

Você se refere a sua música como “confessional cristã”. Analisando o conteúdo das letras e o som, você acha que esse tipo de música é também mais MISSIONAL (no sentido de atrair ouvidos não-cristãos) do que a música de louvor e adoração cantada nas igrejas?

Se eu fosse olhar apenas para a parte técnica, eu diria que sim. Mas olhando para o contexto espiritual, eu diria que não. Já vi muita gente ser alcançada através de músicas de louvor e adoração, eu mesmo inclusive. Mas um som que soar mais contemporâneo sem dúvida poderá entrar por si só em lugares que uma musica tipicamente religiosa não entraria. O fato é que Deus usa o que ele quiser usar para ganhar alguém, quando e onde quiser, até as coisas que eu não gosto! (risos).

O que te influencia musicalmente hoje? (banda/cantor)

Essa é a pergunta que eu mais ouço e ao mesmo tempo é muito complicado de responder. Entendo que tudo influencia musicalmente. Tudo que já ouvi na vida de alguma forma me atravessou e hoje me completa na hora de compor e/ou apresentar algo. Já ouvi de tudo um pouco, pode ter certeza.

Você é filho de pastor, e já fez 1 ano de seminário. Como foi essa experiência e o que o contato mais profundo com esse meio te ensinou?
Ser filho de um ministro me ensinou muita coisa, a maior parte do que sei hoje para caminhar com minhas pernas. Agora, fazer seminário por um ano me ensinou que um diploma não significa nada para quem quer servir, e que eu não me encaixaria dentro dos padrões religiosos exigidos ali. Lembro de uma aula em que eu estava apresentando um trabalho sobre Jó, e usei a expressão de que “Jó era um cara...”, e a turma inteira quase voou sobre mim, porque eu jamais poderia dizer que um santo homem como Jó era um “cara”. Aquilo me levou a concluir que eu não queria nem poderia me enquadrar naquele padrão religioso, ainda mais sabendo de que Jó era homem como eu, que não era a divindade da subserviência como queriam propor, e isso, em conjunto com vários outros fatores, levou-me a ir fazer outro curso.

Você gosta muito de literatura, se você começasse a escrever um livro hoje, ele seria sobre o que? E por que?

Na verdade estou escrevendo, mas não posso falar sobre o projeto ainda, está apenas nascendo.

3 rapidinhas pra terminar:

Livro que está lendo:
Terra Descansada, de Jhumpa Lahiri, um livro de contos sobre imigrantes indianos nos Estados Unidos.
Um lugar: Londres.
Se não fosse cantor, seria: Contador de histórias.

Entrevista realizada por:
Lenara Monteschio

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6 comentário(s)

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Douglas Ramalho | 28/12 às 23h31
"Olá Lucas, Sou tecladista de uma igreja em Itatiba. interior de SP, e gostaria de uma dica de um ótimo piano digital para tocar na igreja. Procuro perfeição no timbre de piano, algo com bastante brilho e destaque. Não sou muito fã de sintetizadores, tenho um mas estou vendendo, pois estou descobrindo meus gostos ainda. Ficaria mto grato por uma resposta base para meus estudos e conhecimentos na musica. Fica com Deus. Douglas"
Mayara | 24/11 às 13h09
"Um lado curioso que eu vejo nas letras de musicas “confessional cristã”, tanto do Lucas como também de outros cantores como Brooke Fraser, Switchfoot, Leeland, Delirius?, etc. É que, de certa forma, ela traz a vida cristã em um nível de testemunho pessoal, expressando Deus em forma de vivência diária, de estilo de vida. Isso incentiva as pessoas a experimentarem, também, um estilo de vida diferenciado, em relação a palavra, ao vislumbre do agir constante de Deus e de seu caráter. Parabéns Lucas pela ousadia, afinal nosso Deus também é um Deus de criatividade, não é mesmo Lenara?!"
Denny | 02/08 às 11h52
"Muito sábias as respostas dele. E acabo concordando com tudo! Sinto que infelizmente existem julgamentos no meio cristão que impedem músicos excelentes de ultrapasar seus limites e ir além nas composições. Graças a Deus isso não acontece com ele. Espero que surjam muitos outros músicos que vão além do comum..."
Nathan | 30/07 às 22h31
"Muito interessante a entrevista,perguntas realmente curiosas e que foram respondidas com clareza pelo Luas,realmente desejo que a música do Lucas consiga expandir cada vez mais e abençoar mais vidas!"
Luciana | 29/07 às 14h23
"Meu, ele é muito inteligente, sou a primeira da fila pra comprar esse livro qndo sair, uuahuaihauihauiha. Muito bacana a entrevista,parabéns. Bem verdade isso "As pessoas se apegaram a frases feitas, clichês até absurdos, e querem ouvir isso nas canções, infelizmente." precisamos entender que Deus quer nosso culto racional, e não precisamos deixar o cérebro na porta ao entrar na igreja. Deus abençoe o Lucas, e que nossa geração tenha mais discipulos crânio como ele."
Larissa | 29/07 às 12h38
"D+ a entrevista.. Algo que realmente é verdade é que a música mais de adoração também pode ser usada para alcançar vidas, e acho que isso também aconteceu comigo! Talvez seja porque um filho de pastor, ou de crente, que nasce na igreja, também precisa ter o encontro com o Amado Jesus, e às vezes, Deus marca esse encontro com a gente na hora daquela música de adoração."
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